Ruben Gustavo G. Alonso, aeromodelista desde os 10 anos de idade, tendo seu pai como grande incentivador, é hoje um dos maiores fabricantes de modelos escala gigante no Brasil e, sem exageros, no mundo. A ousadia e as competições fizeram com que a construção de seus próprios modelos tornasse necessária.

            A necessidade de construir aviões leves exigiu sempre novas técnicas, a mais importante delas é atualmente sua maior característica como construtor: o sistema de sanduíche a vácuo, fibra + isopor de alta densidade + fibra, usando resina epóxi. Este processo de laminação permite que se obtenha peças (fuselagens), extremamente leves e rígidas. Outras técnicas utilizadas por Gustavo, são as asas de isopor com longarinas de carbono, chapeadas com balsa super leves e utilizando cola epóxi no formato de treliça.

            A aquisição do CAP 232 40% se deve primeiramente pela excelente relação peso x potência que se pode obter em modelos deste porte, aliado a precisão de vôo e facilidade em executar manobras 3D. A escolha pelo kit da Gugu Models foi motivada pela qualidade, peso, acabamento, custo e a facilidade de receber o modelo em meu "apertamento" de 2 quartos quase pronto para voar. Posso dizer com convicção que o nível de satisfação com a aquisição deste modelo é algo grandioso. Agora chega de conversa mole e vamos ao que interessa!

O KIT

            O kit do CAP 232 vem muito bem embalado e protegido, acondicionado em três "brutas" caixas de madeira confeccionadas pelo fabricante. Ao abrir as caixas fiquei impressionado com a beleza, qualidade e a preocupação do fabricante com todos os detalhes de preparação e montagem, tais como, guias para passagem de extensões, identificações nas mangueiras dos tanques de gasolina e fumaça. Todas as partes do kit vêm identificadas em pacotes separados. O grafismo escolhido foi da "Breitling" nas cores branco, azul e vermelho, com os adesivos feitos sob medida por um fornecedor do Gustavo. Cabe ressaltar que o trabalho de pintura, aplicação dos adesivos e monokote são de altíssima qualidade.

            O CAP é um avião com 2.950 mm de envergadura por 2.800 mm de comprimento (da ponta do spinner até a ponta do leme). A fuselagem é construída de um sistema de sanduíche a vácuo (fibra + isopor de alta densidade + fibra), utilizando resina epóxi, resultando em um produto extremamente leve e rígido. Na parede de fogo, base dos tanques, base do trem de pouso, mesa de servos, base das chaves liga-desliga e etc, são utilizados compensados colados com uma mistura de epóxi e micro-balum. Todas as partes possuem encaixes perfeitos e sem folgas. A carenagem de fibra é bi-partida, permitindo um acesso ao motor sem a necessidade de retirar a peça inteira, bastando retirar somente a tampa superior.

            O estabilizador é de isopor chapeado com balsa com um fino acabamento em material termo-adesivo monokote. Este é removível, dividido em dois painéis, presos na fuselagem através de um pequeno tubo de alumínio aeronáutico, mais um pino "antirotation" de carbono e uma peça em "L" de alumínio utilizando um parafuso "alen" com um "blind nuts", ou seja, para montar você precisa manusear somente um parafuso para cada painel do estabilizador. O servo se encontra fixo no painel, bastando apenas conectar o cabo na extensão proveniente do receptor.

            O leme possui a parte fixa de fibra (mesmo material da fuselagem) pintada e a parte móvel é de isopor chapeado com balsa com um fino acabamento em material termo-adesivo monokote. Todo o leme é também removível, utilizando dois pinos de madeira na parte frontal e apenas dois parafusos na parte traseira (bordo de fuga). Utilizei um bequilha escala da OHIO que por sinal é muito resistente e esteticamente muito agradável.

A MONTAGEM

            Recebi o modelo praticamente pronto para voar, faltando apenas a montagem do equipamento de rádio (servos, rx, baterias e comandos) e motor, que já veio com a furação pronta.

            Ao se verificar o alinhamento entre o centro da fuselagem, as pontas das asas, estabilizador horizontal e vertical, confirma-se a qualidade do trabalho do fabricante.

            Não foi necessária nenhuma alteração, para receber o motor e rádio escolhidos, de forma que o modelo ficou pronto e equilibrado sem qualquer adição de peso extra, apenas com a bateria estrategicamente posicionada.

            Para o acionamento de todas as superfícies de comando foram utilizados braços de servos de fibra de carbono. Os "horns" utilizados são da "Rocket City" e nos braços dos servos foram utilizados "ball links" da "DUBRO".

            O leme é comandado por um sistema de cabos em "pull-pull". Para o comando do acelerador foi utilizado um "push-rod" de plástico, evitando a dissipação de provável fuga de centelha dos cachimbos, no caso de motores a gasolina.

            Para os arames de comando foram utilizados raios de motocicleta, que são mais resistentes e com acabamento cromado. Os arames foram cortados no tamanho exato para cada comando e foram confeccionadas as roscas com um cocinete 4-40.

O RÁDIO

            O CAP é controlado por um transmissor Futaba 8UAPS e está equipado com dois receptores Futaba R149DP PCM. São duas as razões para a utilização de dois receptores: a primeira é devido à segurança, pois você utiliza um receptor para cada lado do modelo, ou seja, no caso de falha de um receptor você consegue continuar o vôo somente com atuação dos comandos de um lado e a segunda é devido à alta corrente consumida pelos dez servos utilizados, onde somente um receptor não suportaria tal corrente.

            Optei pela utilização de servos digitais JR modelo 8411 com aproximadamente 180 oz. alimentado com 6V, na seguinte configuração:

Ailerons: 4 servos JR8411 (2 para cada lado)
Profundor: 2 servos JR 8411 (1 para cada lado)
Leme: 3 servos JR8411
Motor: 1 servo Futaba 3001

            Para a alimentação foi utilizada uma bateria JR de 6V / 3.000 mAh para cada receptor, uma bateria JR 6V / 1.500 mAh para a ignição e uma bateria de 6V / 600 mAh para a bomba de fumaça TME.

            Os comandos foram ajustados de acordo com o indicado em uma fita VHS do piloto americano Jason Shulman e alterações após o primeiro vôo. Foram utilizados dois "rates", um para vôo de precisão e o outro para vôo 3D:

Vôo de Precisão:

Ailerons: 25º de inclinação e -55% de exponencial
Profundor: 10º de inclinação e -50% de exponencial
Leme: 30º de inclinação e -70% de exponencial

Vôo 3D:

Ailerons: 30º de inclinação e -70% de exponencial
Profundor: 45º de inclinação e -80% de exponencial
Leme: 45º de inclinação e -90% de exponencial

            Foram utilizadas extensões JR, chaves liga-desliga Heavy-duty Futaba para os receptores e chave liga-desliga Heavy-duty JR para a ignição eletrônica.

O MOTOR

            Como motorização foi escolhido um DA 150, com "mufflers" originais, utilizando gasolina "Avigas" (com 2% de óleo Motul 800 - 100% sintético). A hélice utilizada é uma Mejzlik de fibra de carbono 32x10, com um spinner de carbono da ZN Line de 5".

            Este motor possui o carburador na parte inferior, permitindo facilidade para manuseio do afogador e também para instalação, pois todo o motor, inclusive o carburador, fica externo à fuselagem. Portanto, o afogador é acionado manualmente.

            Toda a furação do motor já veio pronta, conforme solicitado ao fabricante, inclusive com os quatro espaçadores de alumínio, com tamanhos diferentes, permitindo um ângulo necessário ao "side thrust". Foi feito um orifício na carenagem do motor de aproximadamente 2" de diâmetro na direção do carburador, para permitir um melhor fluxo de ar durante o funcionamento.

            Tomei muito cuidado para obedecer à relação entre a área de saída de ar e a área de entrada de ar na carenagem. Esta deve ser no mínimo duas vezes e meia. Confeccionei também dutos com chapas de balsa 1/16" para direcionamento do fluxo de ar para as aletas do motor, proporcionando uma menor temperatura de funcionamento, principalmente em vôos 3D, com baixa velocidade do modelo. Este artifício é utilizado na aviação real, chamado de "Baffles".

A HORA DO VÔO

            Após a montagem do CAP na pista, tudo minuciosamente verificado, baterias carregadas, tanque cheio, como medida de segurança foi executado o teste de alcance com o motor desligado e depois com o motor ligado. Feitas as verificações necessárias, o CAP foi para a pista.

            A rolagem na pista é muito linear e o controle de leme é muito obediente, mesmo em baixa velocidade. Apliquei somente 1/3 de aceleração no motor e após um curto espaço o CAP já estava voando. Foi necessário trimar somente o profundor, por volta de 3 cliques para "picar", conforme já informado pelo fabricante. Para o restante dos comandos não houve necessidade de trimagem, comprovando em vôo a qualidade e precisão da construção do modelo.

            O CAP possui um vôo muito preciso e estável. Fiquei impressionado com a obediência dos servos digitais JR, eles são rápidos, fortes e precisos. Nas manobras de rolagem são necessárias poucas correções de profundor e leme, facilitando a execução.

            O CAP possui também ótimas reações em vôo 3D. Foram realizadas manobras como Elevator, The Wall, Blender, Parafuso Chato Invertido, Faca com grande facilidade. O modelo permite vôo em baixíssima velocidade sem perda de sustentação.

            O motor se mostrou com potência de sobra para qualquer tipo de manobra e principalmente com confiabilidade e segurança.

            O pouso foi muito fácil, também já era de se esperar, pois o CAP 40% possui uma baixíssima velocidade de estol, proporcionando um pouso suave e tranqüilo. É difícil explicar a satisfação de voar um modelo de 40% de escala, tudo é diferente, tudo é muito mais prazeroso. Um projeto de quase um ano termina com o início de mais um sonho realizado.

CONCLUSÃO

            Do ponto de vista de custo, o CAP 232 40% do Gugu possui um preço muito acessível comparado com kits importados, ou seja, você estará adquirindo um modelo quase pronto para cobrir (ARC - Almost Ready to Cover) com um preço inferior ao de um kit importado, onde você recebe um "monte de madeira" e tem que montar tudo começando do zero.

            Do ponto de vista de qualidade, o CAP 232 40% do Gugu é indiscutivelmente igual e até diria superior a modelos importados.

            Se o leitor deseja ter um avião de grande porte, com um belo acabamento, com excelentes características de vôo, comportando-se com perfeição tanto em vôos de precisão quanto em vôos 3D, não hesite em optar por um CAP 232 40% da Gugu Models.

PONTOS POSITIVOS

            · Excelente qualidade dos materiais utilizados e na construção do kit;
            · Excelentes características de vôo, tanto em vôo de precisão quanto em vôo 3D;
            · Acabamento de primeira qualidade;
            · Baixa velocidade de estol.

PONTOS NEGATIVOS

            · Não foi encontrado nenhum

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

            Nome: CAP 232
            Escala: 40%
            Categoria: Acrobacia 3D
            Envergadura: 2.950 mm - 116"
            Comprimento: 2.800 mm - 110"
            Área da asa: 161 dm2 - 2.500 pol2
            Motorização: 140 a 160 cm3 - 7.0 a 9.0 pol3
            Motor utilizado: DA 150
            Peso do modelo pronto: 18.000 g - 40 lbs.
            Fabricante: Gugu Models - Porto Alegre (RS)
            Contato: (0xx) 51 3365 2315


Carlo Brossi Alemi - BRA 7601
Belo Horizonte - MG


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