INTRODUÇÃO

            No Festival de Gaspar (SC), podem ser vistos aeromodelos incríveis. Em 2001 o Gustavo Alonso levou um Cap 232, na escala de 40%, construído em madeira e isopor. Sua idéia era mostrar o desempenho do avião e, naturalmente, conquistar futuros compradores. O encanto foi tão grande que meu desejo era ter aquele modelo e não um outro, produzido posteriormente e com a fuselagem em fibra. Alguns fatores conspiraram e sopraram os ventos em outra direção, mas finalmente agora eu sou proprietário do avião que vocês irão conhecer em detalhes.

            Ouvi muito que quanto maior é o avião mais fácil é de voá-lo. De um ponto de vista esta afirmação corresponde à realidade. Basta apenas concentrar-se nos aspectos técnicos do vôo e esquecer a carteira. Com esta simples receita o vôo fica mais bonito e prazeroso, com a carteira intacta.

ORIGENS DO AVIÃO REAL

            O Cap 232 é um avião projetado e construído para alto desempenho em acrobacia aérea. Disputa as primeiras colocações em campeonatos, ao lado dos Sukhoi, Extra e Edge. Basicamente possui duas características marcantes à vista: o canopy elevado acima da linha do turtle deck e o conjunto estabilizador horizontal e profundor localizado bem a frente da empenagem vertical.

            Tecnicamente é uma evolução do Cap 231 EX, que nada mais é do que um Cap 21 com uma asa de Extra. Patrick Paris, da França, venceu o campeonato mundial de acrobacia aérea em 1998, na República da Eslováquia com um Cap 232.

O KIT GUGU MODELS

            Gustavo Alonso produz e comercializa o Cap 232, na escala de 40% em diversas formas, desde um kit básico com a asa cortada para ser chapeada e a fuselagem sem acabamento nenhum, até um kit "luxo", que pode ser fornecido totalmente pronto, com motor, acessórios, servos etc.

            A fuselagem do Cap 232 é constituída de sanduíche de tecido de fibra de vidro com epóxi e isopor, laminados a vácuo. É uma técnica que o Gustavo domina e vem aperfeiçoando a cada kit que produz. Estruturas individuais, em compensado multifolhado, acomodam os tanques de combustível e de fumaça, bomba de fumaça, berço do conjunto de servos do leme e do acelerador, chaves liga-desliga. Não existe nenhuma caverna no interior da fuselagem. A parede de fogo é de compensado aeronáutico, preparada para suportar a estrutura que prende o motor. Existem reforços apropriados, montados estrategicamente nos locais mais sujeitos a fadiga.

            O estabilizador horizontal é composto de um sanduíche, com o núcleo em isopor, chapeado com balsa e revestido em Oracover. É desmontável, em duas metades, sendo fixado à fuselagem por meio de duas baionetas de alumínio aeronáutico.

            A asa é confeccionada em duas metades e também é do tipo sanduíche, com isopor vazado, semelhante ao estabilizador e revestida com Oracover. Tem apenas estrutura para os servos, baionetas de fixação, em alumínio aeronáutico e é extremamente leve.

            Impus ao Gugu que o meu Cap fosse nas cores azul, vermelho e branco, o mais próximo possível do avião que me encantou em Gaspar. Na parte superior o esquema de cores tem como base o desenho da chamada conexão francesa, feito originalmente por Matt Chapman e mantida até hoje em seu Cap 231 EX.

            O resultado final é um avião com peso total de 15.900 g, incluindo motor, spinner de alumínio de 5", servos, 2 baterias de 1.500 mAh e com os tanques de combustível e de fumaça vazios

MONTAGEM

            Como adquiri o kit na versão denominada "luxo", o avião veio pronto, com todos os acessórios, motor e rádio instalados. Considerei a montagem, acabamento e instalação dos acessórios primorosa.

            Instalei as duas metades da asa, as duas metades do estabilizador e o trem de pouso no avião para efetuar uma verificação minuciosa e geral. Todos os encaixes mostraram-se perfeitos, com os parafusos podendo ser girados com a mão e apenas necessitando de ferramenta adequada no momento de efetuar o aperto final. Todos os parafusos são de aço temperado, de primeira qualidade.

            Para o acionamento das superfícies de comando utilizei braços de servos e links da DuBro. Os horns são da Rocket City. O resultado final é um conjunto de comandos que não apresenta nenhuma folga, sendo extremamente suave e preciso.

            O acionamento do leme é feito através do sistema "pull-pull". São utilizados três servos digitais em série, com braços em fibra de carbono, com os cabos presos no último servo. Os furos de fixação dos cabos de aço são deslocados cerca de 15º, de cada lado, fora da linha de centro no sentido do leme. Esta montagem deixa os cabos sempre tencionados, qualquer que seja a deflexão ou a posição do leme.

MOTORIZAÇÃO

            O Gugu Models Cap 232 está com um motor ZDZ de 160 cc, que utiliza como combustível gasolina de aviação, com 2% de óleo Motul 800, cem por cento sintético, na proporção de cinqüenta para um. Foi utilizado um servo Futaba 3001 para acionar o afogador do motor. A hélice utilizada é uma Mejzlik, em fibra de carbono, na medida 32 x 10. Completa o conjunto um spinner 5" de alumínio.

RÁDIO

            O rádio utilizado é um Futaba 9ZH WC2 Sintetizado. A opção por este modelo foi por uma escolha pessoal e pelas condições obtidas na sua aquisição. Os servos dos ailerons (4), profundor (2) e leme (3) são Futaba digitais, modelo 9450. São utilizados dois receptores Futaba modelo R309DPS. A alimentação dos receptores e dos servos é feita por duas bateria Futaba de 1.500 mAh, 4.8 V e 4 células. Os receptores operam em paralelo, com os servos conectados de modo a ficar garantida redundância de alimentação de energia e de acionamento de comandos. Ou seja, em caso de pane em uma bateria e/ou em um receptor, ainda existem condições de comandar o avião e pousá-lo com segurança.

            A opção por servos digitais consumiu longas discussões com aeromodelistas e fornecedores. A decisão final foi tomada tendo-se em conta que: (a) os servos digitais consomem mais energia do que servos não digitais equivalentes; (b) os servos digitais são muito mais precisos; (c) o preço é semelhante para servos digitais e não digitais equivalentes.

            Toda a programação do rádio foi realizada inicialmente com uma montagem dos servos, receptores e baterias em bancada, semelhante ao que seria no avião. Esta etapa facilitou, enormemente, a verificação das condições de funcionamento de todo o conjunto, posteriormente, no avião.

            Foram utilizadas extensões e chaves liga - desliga da Futaba, do tipo heavy duty.

AJUSTES DE COMANDOS E CG

            A posição do CG vem marcada na fuselagem e o conjunto pronto e como montado deixou o avião corretamente balanceado.

            As deflexões das superfícies móveis foram ajustadas com os valores sugeridos pelo Gustavo e para as minhas pretensões de vôo. Naturalmente os valores devem ser escolhidos e aplicados de acordo com as habilidades e necessidades de cada piloto. Com os comandos na posição de low rate é possível executar todas as manobras acrobáticas básicas, mostrando-se suficientes para as minhas características e capacidades de vôo, deixando-me bastante a vontade, principalmente nos primeiros vôos.

PREPARAÇÃO PARA VOAR O CAP 232 (40%)

            Devido a minha atividade profissional, tenho o hábito de ser metódico também em outras atividades que executo. Aprendi, ao longo do tempo de prática de aeromodelismo, que o sucesso de cada vôo depende de preparação e verificações minuciosas e criteriosas. Em um modelo grande, como o meu Cap 232, existem muitas peças, conexões, alto consumo de energia por parte dos servos e uma significativa vibração, devido ao potente motor ZDZ 160. Tendo tudo isto em conta, construí uma lista de verificação (check list), que utilizo imediatamente antes e após cada vôo. Outra lista é utilizada, ainda em casa, para que eu tenha a certeza de que tudo foi verificado e está em ordem. Estes cuidados fizeram que eu conhecesse cada parte e detalhe do avião e também saiba onde e como cada parafuso deve estar, por menor que ele seja.

            O meu Cap 232 tem ainda uma caderneta de vôo, onde são anotados os principais detalhes de cada vôo, como duração, consumo de combustível, ajuste das agulhas do carburador e condições de carga das baterias. Em uma outra parte da caderneta são anotados os procedimentos de reciclagem e carga das baterias do rádio e da ignição do motor.

            Estes cuidados podem parecer exagerados para alguns, mas tenho comprovado que eles são necessários e valem a pena. É incrível as coisas que podem acontecer durante um vôo e não são percebidas caso não se execute uma verificação minuciosa.

VOANDO COM O CAP

            É indescritível e muito difícil, ao menos para mim, transcrever todas as sensações que sinto a cada vôo, com o meu Cap. Ele é um avião muito estável, equilibrado e que executa as manobras comandadas com graça, harmonia e imponência, o que me deixa muito alegre e tremendamente satisfeito após cada vôo.

Decolagem

            Após feitos todos os testes e verificações de praxe, como alcance de rádio, carga das baterias, incluindo o abastecimento com óleo para fumaça (super dry) etc, posicionei o Cap na cabeceira da pista, a minha direita, contra o vento, praticamente alinhado com a pista. O Gustavo Alonso estava ao meu lado. Dez segundos de concentração total, afinal não se decola um 40% na primeira vez (e nem nas outras vezes...) sem uma compenetração total. Inicio a corrida de decolagem com mais ou menos ½ motor, novo e com mistura bem rica. Após correr uns 70 metros o modelo já estava voando. Que maravilha! Aproveito, respiro fundo e relaxo um pouco.

Vôo.

            Subi o Cap para ganhar altura, executando uma curva para a direita e em seguida, ainda subindo, comandei uma curva de 270º, de forma a passar próximo e alinhado com a pista, agora com o vento de cauda. Foi necessário apenas picar dois cliques, no trim do profundor e o avião já ficou totalmente ajustado e sem nenhuma tendência. A primeira de muitas comprovações da excelência de construção e montagem do avião. Iniciei um vôo reto e nivelado, tranqüilo, podendo constatar tudo que o que sonhei há alguns meses estava materializado e realizado. E da melhor forma possível!

Estol

            Comandei o Cap de forma que ele ganhasse bastante altura e ficasse posicionado contra o vento. Passei, lentamente, o motor para marcha lenta, alavanca do leme a postos, verificando que o estol acontece em baixíssima velocidade e é muito fácil de corrigir, apenas aliviando o comando de picar e com um pequeno toque no motor. Sem me desconcentrar, imaginei o quanto seria agradável pousar o avião.

Manobras acrobáticas

            O Gugu Models Cap 232, na escala de 40%, é um aeromodelo projetado, construído e ajustado para desenvolver manobras acrobáticas. Assim como seu ancestral de tamanho real, o modelo é soberbo ao ser levado a executar a manobra desejada.

            Para manter o Cap em situação de vôo invertido não é necessário efetuar correção alguma. A manobra em faca é absurdamente fácil de ser executada. Com motor a 1/3 de potencia e cerca de 35% de deflexão do leme, o avião mantém sua proa com facilidade na atitude desejada.

            Manobras como hammerhed, split S, imelman, humpt bump, oito cubano, looping são executadas como muita graça e o avião demonstra muita imponência. Realizadas a baixa velocidade, ficam soberbas, principalmente quando acompanhadas de um rastro de fumaça. É fantasticamente bonito ver o gigante bailando no céu! Quando se rola o Cap, há apenas uma mínima necessidade de correção, de forma que o roll é executado com extrema graça e simetria, saindo da manobra tão equilibrado quanto entrou.

            Sem nenhuma dúvida a performance do meu Cap 40%, é majestosa, soberba mesmo, continuando a me surpreender a cada vôo subseqüente.

Pouso

            O pouso foi feito após 9 minutos de vôo, aí já mais familiarizado com o modelo. Iniciei a perna do vento com o motor a pouco mais de 1/3 de aceleração. Emendei uma curva bem aberta, passando o motor para marcha lenta e o deixei vir. Baixei três cliques no acelerador e ele tocou o solo, como uma aeronave full size. Foi um pouso extremamente macio. Aproveitei e relaxei, ouvindo as palmas dos amigos que acompanharam o primeiro vôo e conduzi o Cap para o local de estacionamento.

CONCLUSÕES

            Para quem se dispõe a ter um modelo desta envergadura, o mercado interno oferece diversas opções, mas sem dúvida o que faz esse vôo descrito ser tão dócil e fácil é a relação peso - potência, observada no Cap 40% de escala construído pelo Gugu. O modelo voa muito, voa bem alinhado, firme e sem tendência alguma.

O que impressionou:

            Materiais utilizados de primeira qualidade.
            Alto grau de profissionalismo na fabricação, que é artesanal e não seriada.
             Extrema atenção e cuidado nos detalhes de montagem dos acessórios.
            Excelente acabamento.
            Baixo peso do conjunto, proporcionando excelente relação peso/potência.
            Ótimas características de vôo.

Ponto negativo:

            Precisa de uma carreta para ser adequadamente transportado.

Comentários Finais

            O Gugu Models Cap 232, na escala de 40%, é um avião soberbo em todos os sentidos. Cuidadosa e artesanalmente construído, montado e ajustado, encanta pelo tamanho e pela beleza de suas linhas, mais realçadas ainda pela qualidade do acabamento. O vôo é incrivelmente fácil de ser conduzido e extremamente prazeroso. Já realizei vários vôos, desde o dia em que o recebi, ficando cada vez mais a vontade com ele e não tendo vontade de voar outro modelo dentre os que possuo. Espero ter conseguido passar alguma das agradáveis sensações que tenho sentido ao voar com o Cap. Não posso deixar de agradecer ao Gustavo Alonso e equipe por todo o empenho, dedicação e atenção em entregar um modelo exatamente da maneira que desejei e solicitei.

FICHA TÉCNICA

            Nome: Cap 232
            Escala: 40%
            Categoria: Acrobacia 3D
            Envergadura: 2.950 mm - 116"
            Comprimento: 2.740 mm - 108"
            Área da asa: 161 dm2 - 2.500 pol2
            Motorização: 140 a 160 cm3 - 7.0 a 9.0 pol3
            Motor utilizado: ZDZ 160
            Peso do modelo pronto: 15.900 g
            Fabricante: Gugu Models - Porto Alegre (RS)
            Contato: fone 51 - 3365-2315

Luís Carlos Zanotti


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