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            Wallace (Wally) McAllister é proprietário da MACS PRODUCTS - Exhaust Systems for Discharging Modeler considerado como um dos maiores entendedores de sistema de escapamento para motores a explosão. Com sede em Sacramento, na California, a MACS exporta escapamentos para o mundo inteiro, inclusive para o Brasil, que aliás ele conhece bem.

 

 

 


AERONLINE - Existe alguma vantagem na utilização de um escapamento pipa?

Wally - Um sistema de escapamento bem afinado, super alimenta um motor de dois tempos por que provoca uma onda de choque ressonante que eleva a pressão e a quantidade de combustível no cilindro, quando o pistão fecha a porta da exaustão. Nos temos visto um aumento de HP entre 0% (HB . 40 PDP) e 55% (STX .40 R) comparando com o motor sem escapamento nenhum. Para um motor médio, (ex. OS 46 FX) o aumento é na faixa entre 25 a 35%. Imagine que esse aumento é no empuxo (thrust) e não em RPM, e que esse aumento é comparado com o motor sem escapamento, e que esse seria o mais caro que um sistema de escapamento pudesse custar. Ainda assim, um motor que usualmente teria 4 kg de empuxo (thrust) poderia terminar com 4,5 a 4,75 kg de empuxo (thrust). Eu diria que mesmo assim a vantagem compensa em muito o investimento.

AERONLINE - As vantagens são idênticas em motores 2 T ou 4 T?

Wally - Para que a ressonância num escapamento "dimensionado" funcione, o retorno da onda de choque precisa entrar no cilindro, no começo da explosão. Num motor 4 tempos, a válvula de exaustão está fechada, o que significa que a onda não consegue aumentar a pressão e o combustível no motor. Quando muito, um sistema dimensionado pode ajudar o motor a expelir os gazes da exaustão, quando a válvula de exaustão abre, ou seja diminui a contrapressão que os gazes encontram na sua saída do motor. Isso não permite os grandes ganhos de potência possíveis num motor 2 tempos.

AERONLINE - Nos modelos F3A onde a pipa se faz necessária para enquadramento do nível de ruído dos motores dentro dos limites máximos estabelecido para a categoria, temos vistos alguns pilotos renomados usarem pipas tão cumpridas em modelos F3A 2x2 que muitas vezes a saída do escapamento se faz pela parte traseira do aeromodelo. As pipas muito grandes não podem forçar o motor a trabalhar num regime de rotação muito baixo, prejudicando a vida útil do mesmo ? Existe alguma vantagem na utilização de pipas muito cumpridas?

Wally - Quanto maior a velocidade de rotação de um determinado motor, menor deve ser o comprimento da pipa, por que a onda da exaustão que é um componente da velocidade do som, tem menos tempo para atravessar a distância da saída do motor até ser rebatido pelo cone divergente da pipa e retornar para a janela do pistão ainda fechada, no momento da explosão. Inversamente, quanto menor a rotação do motor, um maior comprimento de pipa se faz necessário para obtenção de uma potência máxima. Outrossim, eu acho que uma pipa que tenha a saída dos gazes para a atmosfera na cauda de um avião seja muito grande.

AERONLINE - Como é feito um correto dimensionamento de uma pipa?

Wally - Já que um escapamento "dimensionado" é coeficiente da quantidade de exaustão, rotação do motor e pressão atmosférica, existe uma equação que pode dar o correto tamanho e comprimento de uma pipa ótima para um dado motor. No entanto, eu entendo que você esteja me perguntando o procedimento correto para afinar uma pipa num motor para um determinado avião.
A maioria dos sistemas de pipas tem um coletor (header) que é muito mais comprido que o necessário. É necessário se fazer seu encurtamento gradual, testando o RPM a cada corte até atingir o pico máximo e depois declinar. Para tamanho de motores de .20 até .60 cada corte de encurtamento deveria ser cerca de ¼ polegada e para motores de 3 polegadas cúbicas, o corte deveria ser em etapas de 1 polegada. Veja bem, se você inicialmente funcionar o motor sem um sistema de pipa afinada e a rotação do motor ficar abaixo daquela verificada sem o escapamento, gradue o corte dos pedaços do coletor (header) quatro vezes maiores, até atingir o ponto de pelo menos 200 RPM a mais do que sem escapamento (para um motor .20 a .60, corte incrementos de 1 polegada).

a) Para o piloto esporte ou acrobático, que queira o máximo de potência na subida vertical, é melhor afinar o motor para o máximo de potência, estático. Isso não incrementa muita velocidade nos vôos horizontais e na verdade diminui a velocidade do motor quando nas descendentes.

b) Para um "pilon racer" onde a máxima velocidade na horizontal é necessária, escolhe - se o melhor hélice para sem considerar a pipa e afina - se o sistema da mesma forma, porém, depois disso, você aumenta o passo do hélice até encontrar a maior velocidade para o aeromodelo, levando - se em conta a perda de velocidade nas curvas. Note bem que nas decolagens é necessário que se use menos que a potência máxima para um "pilon racer" já que o motor está com mistura pobre para baixas RPMs e somente deve - se acelerar o máximo quando atingir uma maior altitude e for possível pilotar o aeromodelo e desfrutar da pipa.

AERONLINE - Qual o resultado no rendimento de um motor que tenha o diâmetro da saída do escapamento muito grande e muito pequeno?

Wally - Diâmetro muito pequeno e a pressão retorna muito forte para o cilindro do motor, o que causa seu superaquecimento; com o diâmetro muito grande a pressão de retorno é muito pequena para dar ao motor um incremento de potência aceitável. Note que nos temos visto os motores ROSSI e alguns fabricados na China, precisam de mais pressão. De fato, os motores Chineses precisam de uma maior pressão na mufla para funcionarem bem. Precisam até de mais pressão de retorno do que algumas pipas podem promover.

AERONLINE - Existe alguma diferença de rendimento entre as pipas de alumínio e as de fibra carbono?

Wally - Teoricamente não, mas na prática sim. As pipas de fibra de carbono e resina usualmente não tem as paredes tão rígidas quanto as pipas de alumínio, dessa forma, o choque da onda de ressonância pode ser menor, o que reduz o aumento de potência. Nos temos visto também que sob alta pressão e temperatura, a resina tende a se quebrar. Alguns competidores que nos conhecemos, tem tido que substituir a pipa de US$ 100,00 a cada 20 competições, por que elas ficam muito macias para funcionar adequadamente. Eu acho que as pipas de carbono tem o seu lugar. Já que elas conseguem ser mais silenciosas do que as pipas de metal, elas exigem menos sofisticação e menos peso para obter o nível de ruído máximo permitido. Até o presente momento não conseguimos encontrar uma pipa de carbono aceitável para o aeromodelista comum. Também, uma mufla de carbono para motor de 4 tempos tende a se decompor mais rapidamente, já que a temperatura dos gazes de exaustão são bem maiores.

AERONLINE - Na sua opinião, é importante que pilotos comuns participem de campeonatos?

Wally - Eu entendo que você esteja me perguntando se eu acho que os pilotos menos qualificados deveriam ser convidados a participar de competições. Primeiramente, eu não estou certo de que meus conhecimentos sejam relevantes para responder a esta questão, no entanto, já que você me perguntou, vou dar minha tosca opinião: depende da competição. Certamente eu acho que somente deveria ser permitido aos comprovadamente melhores pilotos participarem de eventos tipo o TOC. No entanto, nos campeonatos nacionais de qualquer nação, qualquer um deveria poder provar seus conhecimentos ou ser eliminado, conforme seja o caso. O que eu mais detesto de ver num campeonato, é um piloto mais bem conhecido ser mais bem colocado por causa do seu nome ou habilidades do passado. Eu tenho visto muitas vezes um competidor novo, voar melhor que qualquer outro, mas não ganhar por que é relativamente desconhecido pelos juizes.


            Agradeço ao amigo Wally, que além de um profundo conhecedor de sistemas de exaustão, é também uma pessoa muito simpática, sempre pronta a ajudar a quem tenha necessidade de melhores performances com seus bólidos. Detalhe: ele é um apaixonado por aviões elétricos indoor!

Ricardo Aurélio Quinhões Pinto
multimar@multimar.com.br


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