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Voar...
Voar
como os pássaros ...
...
fazer descidas e planar acima do solo, livre e desimpedido...
Não
foi um sonho que nos atraiu a voar ?
Não
leva muito tempo p/ percebermos que o vôo não é
tão simples como parece para os pássaros.
Livros
inteiros podem ser escritos (e realmente têm sido escritos)
tanto sobre técnicas de vôo como sobre princípios
de meteorologia. Este texto não tenta de forma alguma
proporcionar uma discussão completa sobre qualquer um
destes temas. Seu objetivo, sim, é fornecer sugestões
práticas de “como fazer” para pilotos de vôo-livre
que esperam melhorar seus métodos de encontrar e voar
em vários tipos de “ascendentes”.
Qualquer
redação relacionada a fenômenos meteorológicos
deve ser prefaciado por uma grande cautela. Estes fenômenos
são extremamente complexos e muito pouco compreendidos:
e em qualquer dessas discussões são inevitáveis
simplificações, repletas de generalizações
e
vastas exceções.
No
melhor, podem oferecer alguns indicativos para a melhor fonte
de aprendizagem: sua própria experiência.
LIFT
As
ascendentes geradas em obstáculos (encostas, prédios,
barragens, ...) oferecem várias vantagens sobre outros
tipos de ascendentes, principalmente pela segurança e
confiabilidade das ascendentes. Os lifts tendem a ser constantes,
possibilitando que os pilotos permaneçam
suspensos por todo o dia.
O
lift frequentemente oferece algumas conveniências : em
muitos locais você pode ir até lá para voar,
explorar paisagens, apreciar a vista e aterrissar perto de seu
carro, dar uma parada para almoçar e retornar no fim
do dia. Não é surpresa o fato de grande número
de pilotos que voam por recreação não conhecerem
outro tipo de vôo.
Outros
pilotos não dão crédito ao lift, achando
monótonos e limitados. O que muitos pilotos não
concebem é que os vôos de lift podem servir de
instrumento básico para vôos de longa distância.
Muitos vôos “crosscountry” não teriam sido possível
sem o reforço de algumas ascendentes de relevo suplementando
outros tipos de ascendentes.
Como o Lift é gerado.
O
termo refere-se ao movimento “para cima” do ar, resultado do
choque do vento contra um objeto. Um número de variáveis
determina as características de uma dada ascendente de
morro. Os parágrafos seguintes apresentarão uma
descrição geral do fenômeno.
Força Causadora
Quando
vento encontra um obstáculo, busca a trajetória
de menor resistência para passar pelo objeto, simplesmente
fluindo em volta, se isso for possível. Se o obstáculo
for muito largo, parte ou todo ar é empurrado para cima,
formando uma faixa de ar com sentido ascendente.
Para
produzir ascensão suficiente para suportar um equipamento
de vôo, o obstáculo deve ter inclinação
maior do que 30 graus e o vento velocidade acima de 10 km/h
(números aproximados).
Região de Lift
A
coluna de ar, forçada para cima pelo obstáculo,
gera uma área de elevação contínua,
pelo tempo que o vento continuar soprando. A região de
lift atingirá de 2 a 3 vezes a altura do obstáculo.
A área de melhor lift depende da inclinação
e da altura. Em regiões muito baixas, está mais
próxima do terreno. No topo, o melhor lift estará
mais afastado.
Descendente
Após
o ar ter ultrapassado o obstáculo e tenha atingido a
máxima altitude, ele tende a descer. Se a parte posterior
do obstáculo for um declive, o ar tenderá acompanhar
o declive.
Possíveis turbulências, rotores.
O
movimento do ar tende a aderir ao solo, um fenômeno conhecido
como (surface-drag ou arrasto de superfície). O desnível
do contorno da superfície pode causar a separação
do ar da superfície, interrompendo o fluxo de ar e criando
turbulência.
Se
encontra o solo com muita força, o ar fica turbulento
(geralmente este impacto provoca a ascensão à
frente).
Fatores que afetam o Lift
Vários
elementos determinam a força, a forma, o tamanho e a
localização da coluna ascendente e a localização
do melhor ponto de ascensão. Os parágrafos seguintes
discutirão estes fatores individualmente, apesar de na
realidade seus efeitos estarem interrelacionados.
Morros
Os
morros geram colunas ascendentes regulares e úteis por
toda parte em que o fluxo do ar incide aproximadamente perpendicular
e em que o vento é suficientemente forte. Estas estruturas
não precisam ser necessariamente altas.
Morros
com menos de 30m frequentemente produzem ascendentes úteis.
Naturalmente, quanto mais alto o morro mais desejável
será o local para o vôo livre.
Quando
o vento atinge o topo do morro, sua tendência será
descer acompanhando o declive do morro, frequentemente gerando
turbulência atrás.
Escarpas
Como
locais para vôo, as escarpas dividem muitas características
com os morros, com uma grande diferença. Desde que uma
escarpa não tenha declive em sua parte oposta, a localização
do ponto de descida do ar é mais difícil de se
predizer.
A
força da ascendente e o plano da encosta que está
de frente para o vento determina qual o ponto de ocorrência
da descida do ar e se estará acompanhado ou não
de turbulência.
Encostas
nas áreas litorâneas usualmente oferecem vôos
seguros durante todo o dia, quando o ar frio sobre as águas
se move (maral) em direção ao ar aquecido sobre
a terra. Com o resfriamento da terra durante a noite, esse movimento
se reverte (terral).
Escarpas
que têm suas faces voltadas para predominância dos
ventos apresentam alguns dos melhores lugares do mundo para
lift.
Montanhas Cônicas
Em
geral, picos isolados não são bons locais geradores
de ascendentes. O fluxo do ar pode desviar do obstáculo,
passando ao redor deste e pouco ar é forçado para
cima.
Outras Formas
Não
fique limitado a morros ou escarpas. A princípio qualquer
obstáculo para movimento do ar irá causar alguma
coluna de ascensão. O lift está onde você
o encontra, e os pilotos de vôo livre podem ser bastante
imaginativos para isto.
Liso x Rugoso
Numa
encosta lisa, as ascendentes estão muito próximas
do solo, especialmente nas partes mais baixas. De outra forma,
as encostas de terreno acidentado geram separações
e turbulências bem próximas ao terreno. As ascendentes
mais utilizadas são encontradas bem longe de encostas
acidentadas.
Saliências Horizontais
Patamares
ou reentrâncias horizontais ao longo da encosta podem
produzir redemoinhos. Essas turbulências limitam-se próximo
a área de origem apenas com vento fraco. O ar se reagrupa
em algum ponto acima do “patamar” e gera à frente uma
ascendente.
Com ventos fortes ( > 40
km/h ) esses redemoinhos costumam se desprender.
Fendas e ângulos: o
Efeito Venturi.
Uma
encosta nunca chega a ser uniforme em sua face; fendas, ângulos,
pedras e ranhuras marcam tipicamente a superfície. Quando
o vento encontra qualquer destas características um fenômeno
conhecido como “efeito venturi” ocorre.
Uma
fenda oferece menor resistência do que as outras partes
do morro. Logo, uma grande quantidade de ar flui através
da fenda, numa velocidade maior do que nas partes laterais.
Uma
reentrância ou uma saliência na face de um morro
que encontra o vento, produz um efeito similar: desvia o vento
para seu centro, incrementando a força e a altura da
coluna ascendente.
Quando
o vento incide em um morro em ângulo, qualquer saliência
produz este resultado. Quanto maior a saliência, maior
o efeito.
Inclinação
A
inclinação afeta na altura do lift, no ângulo
de melhor ascensão e no grau de turbulência. Para
gerar lift, a encosta tem que ser suficientemente íngreme.
Morros
com pouca inclinação não produzem lift,
uma vez que o ar pode simplesmente fluir ao longo da superfície.
O
lift mais forte depende da inclinação. O formato
da faixa útil pode variar significativamente.
Quanto
mais inclinado o morro, mais o lift será afetado por
alterações na direção do vento.
O que significa dizer: se o vento muda, a alteração
correspondente nas características do lift ocorrerá
mais rapidamente na encosta íngreme do que na de declive
suave.
Estabilidade do Ar
A
estabilidade do ar determina se o lift é constante ou
intermitente assim como o grau de turbulência.
O
ar está estável quando as camadas estão
organizadas em suas “próprias” ordens, ou seja, com a
camada mais pesada bem próxima à superfície
e camadas mais leves sobrepostas em ordem sucessiva.
O
ar está instável quando esta ordem for desfeita.
O termo “instabilidade” refere-se à inversão das
massas de ar quando essas buscam retornar ao equilíbrio.
Se
há nuvens formando sobre picos e morros, pode estar certo
que o ar está instável. Você pode identificar
a instabilidade pela maior quantidade de ascendentes e descendentes.
Nestes dias, a visibilidade fica melhor e o clima menos abafado.
Ar
frio que se locomove por cima, aquecimento do ar pela proximidade
com o solo, umidade ... são alguns fatores que provocam
a instabilidade.
Ar Estável
Em
geral, o ar estável produz lifts suaves. No entanto,
devido a tendência do ar estável voltar ao seu
nível padrão, ele pode gerar também turbulências
de baixa altitude na face frontal do obstáculo como se
ele se derramasse pela crista do morro, como ilustrado no início
desta seção.
Ar Instável
O
ar instável separa-se da superfície mais facilmente
do que o ar estável. Esta separação pode
resultar em turbulência por todo o plano do declive, particularmente
se o vento estiver forte.
Separações
podem gerar redemoinhos no sopé de um declive íngreme.
Em
muitos casos, estas regiões estão abaixo das áreas
usadas por pilotos do vôo livre, mas o piloto deve estar
ciente de sua existência, especialmente que alguns ventos
fortes podem carregar redomoinhos encosta acima.
Separação
e turbulência não tem grande efeito no lift, mas
podem ser um problema. Se o ar que está soprando na rampa
for úmido e instável, o fluxo do ar pode ser quebrado
em “bolhas”: segmentos individuais de subida de ar. O resultado
é um lift bom, mas transitório, geralmente com
descendentes associadas.
As
bolhas seguem o mesmo caminho do lift, mas o tornam mais turbulento.
Vento
Quanto
mais forte for o vento soprando contra o morro, mais forte será
o lift. Contudo não atinge altitude muito maior do que
um fraco. No entanto, uma vez que atinge o topo do morro, o
ar é empurrado mais horizontalmente pelo vento forte.
Assim, qualquer térmica que se origina, pode ser soprada
muito longe além do morro.
Além
disso, ventos fortes, devido à fricção,
podem produzir turbulência de baixo nível por todo
relevo e que pode também reduzir drasticamente a real
velocidade do vento perto da superfície. Neste caso,
alguns redemoinhos gerados por pequenas protuberâncias,
podem se soltar e atingir algum piloto.
Em
outras palavras, vento forte geralmente é uma vantagem
em vôo de lift, não de térmicas. Em cada
encosta deve-se ficar atento, pois há locais que dá
p/ voar com vento mais forte e outros que não aceitam
isto.
Ângulo do vento contra
o Morro
O
ângulo que o vento incide, afeta a altura tal como a força
do lift. O melhor – o mais forte, o mais alto e mais suave –
é produzido quando o vento é perpendicular ao
morro.
Terreno de Elevação
A
natureza da elevação pode agitar, neutralizar
ou reforçar o lift. Isto quer dizer que, todas encostas
por mais perfeitas que pareçam podem não gerar
lift dependendo do distúrbio que o obstáculo provocar
no fluxo do ar.
Geralmente,
obstáculos resultam em aumento de turbulência,
mesmo acima do morro.
Considere
outro caso : duas montanhas uma à frente da outra com
o vento incidindo perpendicularmente. Se estiverem na distância
certa (ou errada do ponto de vista de um piloto de vôo
livre procurando lift), a descendente atrás da primeira
pode causar uma descendente na segunda encosta.
Felizmente,
a eliminação completa do lift é relativamente
rara. Na maioria do casos há alguma ascendente a ser
encontrada no topo. Tal efeito depende da distância entre
os relevos, do formato e da velocidade do vento.
Do
mesmo modo pode haver um reforço. Para tal, as montanhas
devem estar um pouco mais afastadas (em média 15km p/
ventos de 20km/h).
Escolhendo o Melhor Momento
para Decolagem
Tire
vantagem das térmicas que estiverem por perto a serem
localizadas em frente ao morro. Observe no movimento da vegetação
a aproximação de uma térmica. Quando enxergar
uma “onda” subindo a montanha, esteja pronto para decolagem.
Se o fizer no início de uma térmica, terá
uma elevação adicional que pode fazer a diferença
entre um belo vôo ou uma merreca.
Maximizando o Lift
Analise
a rampa, determine onde estará a ascendente mais forte,
mais alta e mais constante. Confie em seus próprios sentidos.
Lembre que o melhor lift muitas vezes está próximo
ao solo, mas não tão próximo e observe
as características de manuseio do seu equipamento. Uma
turbulência ou algo inesperado pode acontecer e sobrar
o morro.
Para se ter o melhor do lift - a maior altitude e o maior tempo
no ar – tome nota do seguinte:
· Procure Térmicas Dentro do Lift.
·
As térmicas frequentemente ocorrem dentro de regiões
onde há lift, às vezes mesmo quando formadas um
pouco mais distante, são empurradas p/ região
de lift. Se você localiza este tipo de térmica,
então vá fundo , não esquecendo nunca do
possível tráfego e o cuidado p/ não fazer
curva p/ o morro.
·
Uma térmica no bordo de fuga pode jogar um parapente
ou uma asa de forma violenta p/ o morro.
·
Muitas das térmicas que você vai encontrar, não
serão fortes o bastante para garantir um círculo
completo de 360o, mas um “8” ou “S” numa térmica pode
muitas vezes dar um bom apoio.
·
Voar sobre mínima velocidade de descida (sink rate daqui
por diante). Nos parapentes modernos, não faz muita diferença
a velocidade, desta forma, melhor não estar freiado,
pois se precisar dos freios (p/ fazer uma curva rápida
por exemplo) é melhor estar rápido.
·
Permaneça no lift. Faça as curvas sempre na região
ascendente, nunca depois que o vario parou de apitar, caso contrário
perderá altitude a cada volta.
·
Sempre dê a volta p/ fora do morro. Se girar no sentido
do morro, corre o risco de ser lançado de encontro ao
morro.
·
Após ter completado a volta, esteja seguro de que retorne
a mesma distância do morro como se passasse de novo pelo
mesmo lugar. Para não se mover progressivamente para
longe a cada volta.
·
Cuidado com Descendentes e Turbulências Acima e Atrás
do Morro. Lembre que o vento ascendente em frente da rampa é
comumente acompanhado dos ventos descendentes e turbulências
acima do topo do morro, atrás deste ou ambos. A força
da descendente e da turbulência associada aumenta com
força da ascendente e com a velocidade do vento. Aterrissar
em topos de morros ou de escarpas requer procedimentos diferentes
para cada lugar, cada direção e velocidade do
vento. No caso de parapentes, tente fazê-lo sempre em
curva de nível.
Etiquetas Convencionais
Raramente
terá uma rampa somente para você. Algumas “regras
de tráfego” são necessárias para prevenir
o caos e acidentes:
-Ao
se aproximar de outro piloto vindo em sua direção,
desvie p/ direita;
-Se
estiver acima de um piloto subindo, dê passagem. O seu
campo de visão é muito menos restrito;
-Se
estiver ultrapassando outro piloto na mesma altura, faça-o
pelo lado do morro pois se ele(a) necessitar de uma curva, não
o fará em direção ao morro.
Cada
local tem a sua particularidade. Sempre pergunte aos pilotos
locais sobre qualquer regra específica antes de voar
em uma nova rampa.
Não
é preciso estar no ar para observar o clima.
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Este texto é uma
adaptação de um trecho do livro: “Hang
Gliding According to Pfeiffer” escrito por Rich Pfeiffer,
publicado por Publitec Editions, Laguna Beach, CA-USA,
1984.
Nele há algumas considerações sobre
térmicas e vôos sobre montanhas, tópicos
que estão sujeitos a uma enorme variedades de
teorias.
Tais alterações foram possíveis
graças aos anos de estudo formal e aos 10 últimos
anos divertidos de vôo livre
Sérgio Leite
Lopes
Eng. Mecânico-Aeronáutico (ITA)
Mestre em Eng Ambiental (UFES) => cinética
da combustão
Doutorando em Eng Elétrica (UFES) => controle
da combustão
Prof UFES-DEM.
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