Por vezes para conseguirmos uma boa qualidade na laminação de algumas peças sem a formação de pontes ou bolhas, ocasionadas em função de dificuldade de acesso ou mesmo devido aos ângulos retos que os tecidos teimam em não acompanhar na laminação com pincel, precisamos usar o recurso do "vacuum bagging", ou laminação a vácuo. Atendendo-se a uns poucos quesitos obtém-se uma qualidade de laminação dificilmente atingida com o pincel, como a perfeita colagem do tecido no local a ser restaurado, uma melhor distribuição de resina, com conseqüente redução de sua taxa para valores seguros de até 45% em peso.

            A seguir, demonstrarei passo a passo a recuperação de parte da barriga de um CAP 40%.

            Como se trata do local de encaixe de fixação do trem de pouso, por tanto, um local bastante solicitado, preferi usar tecido de Kevlar ao invés de vidro, e como já mencionei em artigo anterior (Reparo em Moldados) a recuperação deverá ser feita com resina epóxi.

            Como os ângulos retos são difíceis de serem laminados manualmente com o nosso tecido de Kevlar de 225g/m², tecido bastante grosso que se recusaria a fazer os inevitáveis ângulos retos do encaixe, optamos pela laminação a vácuo.

            Vamos descrever todo o processo, sem discorrer muito sobre o assunto, já que a nossa proposta não é a formação profissional, mas uma dica útil de laminação eficiente de modo amador.

            O que é?

            A teoria é simples: o vácuo prensa o tecido durante seu período de cura para sua perfeita conformação no molde ou peça utilizando menos resina que o processo de laminação manual.

            Como é?

            Com a ajuda de um plástico transparente liso e forte (não pode ser de PVC) provocamos o vácuo no local desejado.

            Nas laminações profissionais de grandes peças utilizamos o tecido de nylon "peel ply" para promover um bom acabamento na laminação e evitar o lixamento para colagens secundárias, depois um tecido plástico perfurado "release film"" depois o tecido de aeração e absorção "breather / absorption", que absorve o excesso de resina e permite o escoamento do ar confinado nos locais mais distantes da laminação e por final o plástico liso de fechamento.

            No nosso caso, uma laminação pequena, usamos somente o "pell ply", o plástico bolha e o plástico liso por cima do tecido a ser laminado e obteremos uma ótima qualidade de laminação.

            Como "bomba" de vácuo usei um aspirador de pó sem o saco de resíduos e o filtro de pano. Naturalmente para que haja a formação do vácuo é preciso que todos os orifícios sejam vedados e para isso usei massa de epóxi com aerosil e micro esferas para vedação e acabamento da base de compensado antes do vácuo.

            Como dizem, uma figura vale mais que mil palavras. (click nelas para ampliar)

 

Fig. 184, 185 e 187

            Frestas do reforço de compensado e fuselagem a serem vedadas.

 

Fig. 190 e 192

            Fechamento e acabamento com massa de Aerosil e micro esferas, sem arredondar os cantos inferiores do encaixe.

 

Fig. 193 e 194

            Instalação do bocal do aspirador


Fig. 195

            Testando o assentamento do plástico liso


Fig. 197

            Testando o assentamento do plástico bolha


Fig. 202

            Material a ser aplicado na disposição inversa


Fig. 203

            Pré laminação do Kevlar

 

Fig. 205 e 206

            Colocação do Peel Ply


Fig. 208

            Colocação do plástico bolha


Fig. 211

            Colocação do plástico liso para fechamento. Note a massa de modelagem usada para vedação.


Fig. 213

            Utilização de massa de modelar para vedação do corrugado do plástico liso de fechamento.


Fig. 214

            Visão geral da minha "máquina de vácuo".

 

Fig. 217 e 221

            Vácuo aplicado. Note duas ripas de madeira usadas para ajudar na conformação do ângulo reto da base do encaixe.

 

Fig. 223 e 225

            Laminação pronta.

Ricardo Aurélio

ricardo@illusion.com.br
Aero Circus - Joinville SC

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