
Diágoras
Correa Júnior
O Peregrino do Aeromodelismo Nacional
Diágoras Correa Júnior, médico aposentado, Pernambucano
de nascimento, Paraibano de coração e acima de tudo um
Cidadão Brasileiro. Aeromodelista das antigas, vem do U-Control,
e é um dos pioneiros do RC brasileiro.
Diágoras é hoje um dos aeromodelistas mais conhecido e
atuante do País, participando ativamente dos grandes encontros
anuais de aeromodelismo pelo Brasil afora e não dando trégua
a sua luta constante em prol do nosso hobby/esporte. Pioneiro no aeromodelismo
em Rondônia, onde até é lembrado pelos que praticam
o esporte por lá. Não é a toa que está sendo
chamado carinhosamente de "Peregrino do Aeromodelismo Brasileiro".
Hoje comanda
o CAP - Clube de Aeromodelismo da Paraíba e junto com uma equipe
maravilhosa vem conseguindo conquistas e mais conquistas para o aeromodelismo
local, bastando frisarmos o último encontro realizado, onde estiveram
presentes Wladislau e seus jatos, Gustavo Alonso (Gugu) com seu aeromodelos
e Chico Blender com seus dedos mágicos pilotando os hélis,
entre outros aeromodelistas do Brasil.
Rebouças: Quem é Diágoras?
Diágoras: Nasci
a 54 anos mais precisamente no dia 20 de Abril de 1947 na cidade de
Recife-PE, na Rua do Hospício (não vão achar...).
Filho de pais de classe média, que em 1950 emigraram para o Estado
de São Paulo, mais precisamente para a cidade de Sorocaba. Atualmente,
médico aposentado.
Rebouças: Como começou
no aeromodelismo?
Diágoras:
Em 1954, com 7 anos vi várias pessoas passando em frente a
minha casa com Aeromodelos na mão. Fui atrás deles e em
um campo de Futebol estava havendo uma competição, acho
eu, de Aeromodelos a Elástico e Planadores. Foi a primeira vez
que estive em Contato Imediato de 1º Grau, com o "vírus".
No ano de 1957, morando em São Paulo-Capital, certa vez passei
com meu pai em frente à antiga Casa Aerobrás, na rua Dom
José de Barros, centro, e vi os aeromodelos na vitrine da loja.
Ganhei um de presente, era um planador "Pegasus", foi amor
a primeira vista, nunca mais parei!
Rebouças: Chegastes
a voar U-Control, hoje conhecido como VCC, ou fostes direto para o RC?
Diágoras:
Em 1959 nos mudamos para Londrina, e passei a estudar na primeira
série ginasial. Eu morava na Av. Rio de Janeiro, centro de Londrina,
e um dos meus amigos-vizinhos estava começando a praticar U-Control,
seu nome: Jorge Bertin, dai comecei a fazer aeromodelos U-Control motorizados,
na época dos WB. Só em 1979 iniciei no RC em Porto Velho-RO.
Rebouças: O que te
levou a participar de campeonatos nos tempos áureos das Copas Nordeste?
Diágoras:
Quando me mudei de Porto Velho para João Pessoa no ano de 1983
já praticando RC fiz a opção para voar F3A. Em um
ano que não me recordo com exatidão se 1983 ou 1984 houve
uma edição da Copa Norte-Nordeste em Fortaleza. Juntamos
a equipe da Paraíba e eu fui competir na categoria iniciantes pois
não tinha nenhuma chance com os feras: "Gondim, Dandan, Marroquin",
entre outros.
Rebouças: Você
chegou a competir com Wladislau em uma dessas Copas Nordeste por mais
de uma vez? O então garoto na época já era dedo de
ouro?
Diágoras: Nesse
ano que fomos para Fortaleza havia um garoto que era treinado pelo Gondim,
seu nome Wladislau e o menino papou a Copa. Já demonstrava na época
muita habilidade.
Rebouças: Podes nos
falar de alguns nomes conhecidos que participavam destas Copas Nordeste?
Diágoras: Sem
dúvida os melhores eram: Gondim e Dandan, mas podemos citar ainda
o Orlando (de Natal), o Germano de João Pessoa e outros que a memória
me falta agora.
Rebouças: Sei que
em uma das suas competições em Copas Nordeste, enfrentando
o Wladislau entre outros, o teu modelo era o lendário Galaxy.
Gostavas desse modelo?
Diágoras:
Eu possui dois Galaxy`s. Ainda tenho um que mandei remodelar recentemente!
Eram modelos fantásticos para a época. O meu era equipado
com motor Webra 61 com carburador Dynamix, aquele famoso de "gaveta".
Em Fortaleza, competi com esse Galaxy mas devo dizer que levei um couro
danado da pista, pois a ventania era brava e não dava refresco.
Só o pessoal de lá que estavam acostumados a voar naquelas
condições se deram bem.
Rebouças: Qual o modelo
que mais te deu prazer de voar até hoje?
Diágoras: Cada
piloto tem o seu avião preferido. Para mim, sem dúvida foi
o Piper J3 1/4 de Escala da Balsa USA.
Rebouças: Tenho uns
amigo em Rondônia que certa vez me falaram da participação
do Diágoras como um dos pioneiros no aeromodelismo por lá.
Poderias nos relatar isso?
Diágoras: Eu
me formei em Medicina em 1976 e como por aqui em João Pessoa não
havia emprego fui tentar a sorte no Território Federal de Rondônia
no ano de 1978. Chegando em Porto Velho comecei a praticar U-Control,
pois sabia voar razoavelmente. Certo dia, um colega médico chegou
com um "Falcon 56" que ele havia comprado em Manaus, mas não
sabia construir nem voar. Eu construí o "Falcon 56" pois
havíamos feito uma sociedade e, como eu era o único que
entendia alguma coisa de R/C pois era irmão de Dandan, fui indicado
para voar o aeromodelo. Minha experiência naquela época era
imensa em relação aos outras pois sabia voar de cabo (VCC),
sabia construir e já tinha visto um R/C voando. Os outros não
sabiam nada e por esse motivo fui o primeiro a decolar um R/C em Porto
Velho. Faziam parte da equipe: Orlando Ramires, José Damásio,
e o Roberto. O instrutor via Embratel foi o Dandan.
Rebouças: E em Londrina,
você já morou por lá, não? Voavas também?
Diágoras: Sim
morei um certo tempo em Londrina, mas naquela época não
havia R/C, só cabo.
Rebouças: Seus aviões
no início, eram montados por você mesmo ou por teu irmão
Dandan?
Diágoras: Eu
sempre montei meus Aeromodelos. Acredito que iniciei no Aeromodelismo
primeiro que Dandan. Ele sempre montou melhor pois sempre foi perfeccionista.
Rebouças: Podes
nos contar a história desse rádio?
Diágoras:
Esse rádio foi comprado a algum tempo atrás; logo
após eu ter ficado doente, entrei em contato com o Roberto Sciumbata
da Aeromodelli e falei do meu problema. Eu me lembrei dos rádios
"single stick" que eram comuns na década de 80 pois
o meu problema maior era o controle do leme pela mão esquerda.
Hoje ele está encostado pois os rádios modernos com mixagens,
permitem o leme junto com o aileron na direita.

Rebouças: Ai na
Paraíba você também foi um dos pioneiros, não?
Conta como foi o inicio de tudo por ai.
Diágoras:
Não. Aqui na Paraíba os pioneiros foram o Martinho
Henrique (pai do Hugo) e o Fernando Monteiro juntamente com o Dandan.
Eu sou o mais velho em atividade. Na era R/C os pioneiros foram: Dandan,
Francisco Aguiar e Airton. Eu não estava nesse meio pelo simples
fato de na época 1974 fazer Medicina (4º ano) e tocar em
Conjunto Musical, portanto o tempo era escasso, porém, no dia
que tentaram decolar um R/C pela primeira vez por aqui eu estava na
pista do Aeroclube. Foi um Young 3.
Rebouças:
Como foi tua passagem pela noite, tocando em um conjunto?
Diágoras:
Em 1965, comecei a tocar teclado (na época era órgão
eletrônico) no Conjunto "Os 4 Loucos" juntamente com
Vital Farias e Zé
Ramalho de lá até 5 anos atrás não
parei de tocar. Eu estudei piano na infância (dos 6 aos 15 anos)
e isso abriu as portas para o lado musical. Foi bom porque eu me casei
muito cedo e isso possibilitou uma fonte de renda para minha familia
enquanto fazia a faculdade de medicina.
O
Rei da noite paraibana.
Rebouças: Eu mesmo
já presenciei uma das coisa sensacionais que você e sua equipe
fazem por ai: a escolinha de aeromodelismo. Como surgiu a idéia
e quem está a frente dela hoje?
Diágoras: A
escolinha de Aeromodelismo foi uma criação do Ismael Aversari,
de Mário Navarro (já falecido)
e do Germano Toscano (presidente do Aeroclube na época). A idéia
surgiu da necessidade, pois a grande maioria dos aeromodelistas não
sabem construir um aeromodelo. Como na época duas pessoas geniais
dispunham de tempo e vontade de ensinar e o aeroclube tinha interesse
pois passaria com o Departamento de Aeromodelismo à classe mais
alta entre os Aeroclubes, criaram a escolinha. Hoje o nome da escola
é: Escola de Aeromodelismo piloto Mário Navarro, justa
homenagem a um dos seus fundadores.
Rebouças: Podes nos
dizer qual o principal objetivo dessa escolinha?
Diágoras: Formar
aeromodelistas e cidadãos.
Rebouças: Depois
do teu problema de saúde, que te roubou um pouco dos movimentos,
você mesmo assim não abandonou o aeromodelismo e continua
batalhando e contribuindo com nosso hobby/esporte. Virastes o PEREGRINO
DO AEROMODELISMO BRASILEIRO, pois estais presente em quase todos os
grandes eventos levando o seu carisma e a sua palavra amiga. Agora me
fala ai, é verdade que vais ao Campeonato Brasileiro de Escala
este ano para competir?
Diágoras: Rebouças,
bondade sua. A idéia surgiu de um bate-papo com o Orlando. Como
o Gabriel estava construindo um Super Decathlon para mim, por que não
ir a Blumenau para o campeonato? A idéia é ir participar,
não para tentar vencer pois sabemos da qualidade dos competidores,
mais para levarmos o nome do Nordeste a um evento desse porte e quem sabe,
no futuro, trazermos uma etapa do Brasileiro para cá.
Rebouças:Como anda
a questão segurança de vôo nos encontros que participastes?
Tem melhorado alguma coisa ou muito ainda tem de ser feito?
Diágoras: Em
todos os encontros dos quais participei, não ví nenhum
problema sério. Parece que os maiores problemas ocorrem nos clubes,
no dia a dia. Acredito que esse ponto seja crucial para o iniciante.
A segurança tem que ser levada a sério por todos em todos
os momentos. Aeromodelo não é brinquedo. É um hobby
que envolve riscos e mata. Eu acho que deveria ser banido da pratica
do aeromodelismo pessoas irresponsáveis que voam perigosamente.
Firulas em cima da pista e dos asistentes não devem ser permitidas
nunca.
Rebouças: Ainda
com relação a questão segurança, que mensagem
você poderia passar para os pilotos que estão começando
no aeromodelismo?
Diágoras: Sigam
as oirientações sobre segurança da "ABA".
Não queiram ser "Rei da cocada preta". O Hobby é
uma diversão. Não transformem em perigo para os outros!
Rebouças: Que modelo
levarás, ou isso é segredo de aeromodelista competidor?
(Se bem que existem comentários sobre a possível participação
de um Super Decathlon).
Diágoras: Super
Decathlon 1/4 de Escala da Dynaflite.
Rebouças: No último
encontro de aeromodelismo ai em João Pessoa pude ver o quanto você
e a equipe do CAP batalharam para o sucesso do evento. Você acha
que ainda é difícil se montar um encontro como o que promoveram
ou as empresas e órgão públicos estão mais
abertos a colaborar e participar, inclusive financeiramente?
Diágoras:
Realmente é complicado e difícil fazer um evento de
porte no Brasil. Mas se o Clube possui uma equipe disposta a trabalhar
consegue. Aqui contamos com a ajuda de todos. Em Setembro de 2001 já
iniciaremos os contatos para a realização do próximo
evento. Nós já temos o aval do Governo do Estado e da
Prefeitura Municipal o restante depende de nós. Com as Empresas
Privadas fica mais fácil de se conseguir o apoio. Basta fazer
um projeto bem feito que o apoio virá.
Diágoras só
me resta agradecer a tua paciência, o teu carinho e a atenção
dispensada em nome de todos os aeromodelistas do Brasil e parabéns
por tudo que já fizestes e ainda farás pelo nosso hobby/esporte.
José
Cleudomar Rebouças - PT-7390

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